{"id":1262,"date":"2018-10-03T10:23:08","date_gmt":"2018-10-03T13:23:08","guid":{"rendered":"https:\/\/rlcont.com.br\/?p=1262"},"modified":"2018-10-03T10:23:08","modified_gmt":"2018-10-03T13:23:08","slug":"brasileiros-apostam-no-proprio-negocio-para-fugir-do-desemprego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rlcont.com.br\/index.php\/2018\/10\/03\/brasileiros-apostam-no-proprio-negocio-para-fugir-do-desemprego\/","title":{"rendered":"Brasileiros apostam no pr\u00f3prio neg\u00f3cio para fugir do desemprego"},"content":{"rendered":"<table border=\"0\" width=\"100%\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td id=\"itemNoticia\">Ap\u00f3s 20 anos de dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 carreira de gestora de neg\u00f3cios, constru\u00edda em grandes institui\u00e7\u00f5es, a pernambucana Nelly Cardozzo se viu desempregada e com s\u00e9rias dificuldades de recoloca\u00e7\u00e3o em um mercado cada vez mais competitivo. Separou a verba da rescis\u00e3o contratual em duas partes: uma para as despesas correntes e outra para garantir a educa\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas filhos.<\/p>\n<p>Os meses de desemprego foram passando e o dinheiro encurtando, at\u00e9 que uma colega de faculdade convidou Nelly para abrir um caf\u00e9, plano que as duas haviam constru\u00eddo nas salas do curso de Administra\u00e7\u00e3o de Empresas. \u201cNaquele momento, minhas economias eram R$ 50, sem contar o dinheiro para a educa\u00e7\u00e3o dos meus filhos, que era sagrado\u201d, lembrou.<\/p>\n<p>Nelly disse \u00e0 amiga que n\u00e3o tinha recursos para investir no neg\u00f3cio. A proposta da colega foi contrat\u00e1-la para administrar as finan\u00e7as do caf\u00e9. Nelly foi buscar orienta\u00e7\u00e3o profissional. Na ag\u00eancia do Sebrae, o que chamou a aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi o plano de abrir mais um caf\u00e9 no Recife, mas as pulseiras de macram\u00ea que enfeitavam seus bra\u00e7os.<\/p>\n<p>\u201cEu disse para o consultor que n\u00e3o queria mais ser empregada, queria ter meu neg\u00f3cio. Ele me perguntou quanto eu tinha para investir? Eu respondi: R$ 50\u201d, contou.<\/p>\n<p>Segundo Nelly, o consultor perguntou onde ela havia comprado as pulseiras que usava. As bijuterias eram obras de Nelly, a pedido da filha Daniella Rafael. A sugest\u00e3o do consultor foi que Nelly usasse os R$ 50 para produzir mais pulseiras. Em um m\u00eas ela voltou com cerca de 100 unidades em uma caixa que guarda at\u00e9 hoje como um amuleto. \u201cEu falei para ele que tinha feito 100 pulseiras, mas minha filha tinha vendido algumas na escola. Ele respondeu que esse era o caminho\u201d, relatou a artes\u00e3.<\/p>\n<p>Microempreendedor<\/p>\n<p>O resultado do primeiro investimento na confec\u00e7\u00e3o de pulseiras foi um lucro de R$ 750, que permitiu a regulariza\u00e7\u00e3o e a amplia\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio, aprendido quando Nelly tinha 12 anos e acompanhava o trabalho da m\u00e3e, A\u00edda Cardoso, para completar renda e garantir o sustento dos dez filhos. \u201cEm 2012, me inscrevi no MEI [Microempreendedor Individual], comecei a participar de feiras no Recife, inclui colares e fui em busca de outros materiais\u201d, contou.<\/p>\n<p>Em tempos de crise econ\u00f4mica e alto n\u00famero de desempregados \u2013 cerca de 12,7 milh\u00f5es de trabalhadores \u2013 abrir o pr\u00f3prio neg\u00f3cio tem sido o caminho de muitos brasileiros. Segundo dados do Sebrae, 48 milh\u00f5es pessoas entre 18 e 64 anos t\u00eam um neg\u00f3cio pr\u00f3prio ou est\u00e3o envolvidos na cria\u00e7\u00e3o de um. Desse total, 51,5% s\u00e3o mulheres. As micro e pequenas empresas s\u00e3o respons\u00e1veis por cerca de 54% dos empregos formais no pa\u00eds e por 44% da massa salarial, conforme levantamento do Sebrae.<\/p>\n<p>O n\u00famero de microempreenderores individuais (MEI) vem crescendo, desde o lan\u00e7amento desta categoria em 2009. Em 2013, atingiu 3,6 milh\u00f5es, superando o total tanto de micro como de pequenas empresas. No ano passado os MEIs chegaram a 7,7 milh\u00f5es. A proje\u00e7\u00e3o \u00e9 que em 2022 sejam 11,7 milh\u00f5es, embora no in\u00edcio deste ano tenham sido cancelados 1 milh\u00e3o de inscri\u00e7\u00f5es de MEIs inadimplentes.<\/p>\n<p>Com o aumento da procura por produtos alternativos e sustent\u00e1veis, Nelly foi em busca de materiais recicl\u00e1veis e naturais. Come\u00e7ou a reciclar garrafas PET e mesclar o material com couro, fios de algod\u00e3o e seda, corti\u00e7a e tecidos variados. As cole\u00e7\u00f5es fazem sucesso n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas j\u00e1 s\u00e3o vendidas para Estados Unidos, Irlanda, Portugal e It\u00e1lia. \u201cA gente passa por altos e baixos, mas temos que enfrentar os desafios\u201d, disse Nelly.<\/p>\n<p>Bolachas<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da paranaense Roseni Jonker n\u00e3o \u00e9 muito diferente. Nascida no interior do estado, foi para Curitiba em busca de estudo e emprego. L\u00e1 trabalhou como cozinheira e banc\u00e1ria. Com o marido Henrique Jonker, decidiu montar uma granja para produ\u00e7\u00e3o de matrizes de galinha, cujos resultados n\u00e3o foram os esperados. Com a granja dando preju\u00edzo e sem emprego formal, Roseni come\u00e7ou em 2014 a produzir, para amigos e festas, bolachas recheadas holandesas, chamadas stroopwafels.<\/p>\n<p>A procura come\u00e7ou a aumentar, e os resultados positivos apareceram. Roseni se inscreveu no MEI, para regularizar sua situa\u00e7\u00e3o. Em pouco mais de seis meses, a produ\u00e7\u00e3o de bolachas ultrapassou as divisas de Ponta Grossa (PR), ganhou espa\u00e7o em S\u00e3o Paulo, Rio Grande do Sul, em Minas Gerais e em Santa Catarina. A renda superou o limite do MEI e assim nasceu a microempresa De Bakker, que hoje tem uma f\u00e1brica artesanal de bolachas e emprega oito pessoas.<\/p>\n<p>Por dia s\u00e3o produzidos entre 300 e 400 pacotes de bolachas, de 200 gramas e 350 gramas. Roseni, que no in\u00edcio cuidava pessoalmente da confec\u00e7\u00e3o das bolachas, hoje divide a administra\u00e7\u00e3o da empresa com o marido e participa de feiras agropecu\u00e1rias para divulgar o produto, distribu\u00eddo para lojas de conveni\u00eancia e padarias.<\/p>\n<p>Luiza Dam\u00e9 &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Carolina Pimentel<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n   ","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s 20 anos de dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 carreira de gestora de neg\u00f3cios, constru\u00edda em grandes institui\u00e7\u00f5es, a pernambucana Nelly Cardozzo se viu desempregada e com s\u00e9rias dificuldades de recoloca\u00e7\u00e3o em um mercado cada vez mais competitivo. 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